É um dois icones do turismo na Argentina.
Quando ir:
Você pode viajar qualquer época do ano, porém, recomenda-se a estar entre Setembro e Maio, pois as temperaturas são mais fáceis e mais habitação opções.
Clima:
O clima é seco durante o Verão, os dias são frios e noites frias, enquanto que no Inverno o frio era intenso, com uma temperatura máxima de 17º C e mínima de -12º C.
Como chegar:
Por terra: De Rio Gallegos, Santa Cruz, Província de Rota Provincial Nº 5, Rota Nacional N º 40 Rota Provincial Nº 23. De Bariloche -Río Negro-, Estrada Nacional Nº 40 e Nº 23. De avião: Vôos de Buenos Aires-Aeroparque Jorge Newbery, Córdoba, Bariloche, Ushuaia, etc, Aeroporto Internacional de El Calafate.
A história
Os rompimentos, conforme as épocas dão-se com certa regularidade. De acordo com os registros históricos, próximo ao ano de 1900 o glacial estava a 750 metros da Península de Magalhães e foi avançando até tocar a costa pela primeira vez em 1917. Porém, naquele momento não se rachou, senão que se abriu um canal que permitia o escoamento da água. As observações até 1940 não estão totalmente documentadas – a zona estava quase desabitada—e em fevereiro desse ano deu-se a primeiro rompimento do glacial. Após dois anos chegou a segunda e os rompimentos ocorreram, ciclicamente, em lapsos que vão de dois a quatro anos, sempre no verão, exceto neste ano. Em total, ao longo do século XX, houve vinte rompimentos. No entanto, depois do rompimento de 1988, houve uma pausa de 16 anos. A partir desse momento o glacial se uniu de uma maneira pouco sólida com a península, permitindo que a água passasse. Por essa razão, o Perito Moreno esteve tanto tempo sem se rachar, até que em março de 2004, produziu-se o rompimento mais badalado, a pleno sol e transmitido em direto para o mundo inteiro. O processo se desencadeou com 75 horas de pré-aviso, quando o dique estava abrindo as gretas e os gigantescos blocos começavam a desprender-se em uma sucessão de explosões cujo eco reverberava entre as paredes da montanha e os ossos dos espectadores. Sucessivamente iam caindo paredes com a altura de um edifício de 20 andares, até que o túnel não resistiu mais e às 19h10 do dia 14 de março, os presentes contiveram a respiração e o “mundo” desabou-se.
Dois anos depois do espetacular rompimento de 2004, a ponte se formou novamente e no dia 10 de março de 2006 desencadeou-se, novamente, todo o processo. Durante vários dias, o espetáculo dos desprendimentos avançava e o rompimento final ameaçava suceder ante milhares de pessoas que foram se aproximando até completar a capacidade do parque, dormindo, inclusive, no lugar e sofrendo as inclemências do frio. As câmeras de TV de muitos países estavam preparadas e captavam as sucessivas quedas do gelo. Porém, no dia 14 de março, produziu-se o pôr-do-sol atrás das montanhas e às 22h45 --ante muito poucas pessoas e com a lua cheia--, o capricho pré-destinado da natureza ocorreu às escuras e com poucas câmeras captando somente o som da explosão.
A visita
A primeira visão do Perito Moreno através da janela do carro é como uma sucessão de chamas brancas que aparecem, intermitentemente, atrás das árvores. Essa imagem ainda confusa do gelo explode como um flash de beleza absoluta que se desvanece no instante, como todo momento de perfeição.
Ao abandonar o veículo e avançar pelas passarelas chega a segunda impressão. O glacial desenvolve sua frente completa de 4 quilômetros de largura, e atrás seu corpo curvado se perde serpenteando como uma língua de gelo em direção ao fundo de um grande vale.
Contudo, algo curioso ocorre na primeira vez frente ao glacial. Todo viajante experimentado chega, em geral, à conclusão fatal de que as fotos mentem. A Torre Eiffel não era tão grande como parecia, nem a grama da campina inglesa é tão verde como nos livros, nem a Cidade Proibida de Pequim tão inatingível como no filme de Bertolucci. Ocorre que, geralmente, uma boa fotografia de paisagem leva a marca artística de seu autor, quem recorta a realidade e a embeleza a tal ponto que, quando as pessoas se apresentam no local, sentem uma rara desilusão. Porém, é estranho que com o Perito Moreno ocorra exatamente o contrário.
Por um lado, a frente do glacial é tão larga e sem objetos comparativos ao seu lado, que em uma foto não se pode obter uma idéia justa de sua verdadeira amplidão. A segunda razão pela qual o glacial é, particularmente, impossível de encerrar em uma foto, é porque trata-se de uma paisagem sonora e em constante movimento. No Perito Moreno é possível estar observando distraidamente o panorama, e que, de repente, uma explosão terrível preceda o desprendimento de um grande bloco de gelo na frente do glacial. Este novo iceberg cai como em câmera lenta, afunda-se e sai flutuando outra vez para fluir em direção à direita, seguindo o curso do canal. Outras vezes são paredes completas, que caem na frente como uma árvore, produzindo ondas e um estrépito que retumba na amplidão do vale. O primeiro impulso ante a explosão é o de sair correndo como se o mundo viesse abaixo. No entanto depois, cada um se acostuma ao eco quase permanente de pequenos e grandes estouros que parecem tiroteios afastados, ou inclusive algum canhonaço ensurdecedor que faz as passarelas girarem em seu próprio eixo. Detrás dessa muralha branca parecem ocorrer violentas tempestades ou guerras secretas com remansos de paz, recheadas pelo rumor constante da água que corre e o som do vento cortado pelas pontas de gelo.
A forma
A simples vista, o Perito Moreno assemelha-se uma grande avalancha de neve que chegou de trás das montanhas e foi petrificado de repente - com seu plano inclinado--, quando estava por cair no lago. Parece que uma parede invisível sustenta aquele maremagun (abundância desorganizada) fechando a passagem para uma força arrasadora que, caso se soltasse de vez, devastaria média terra.
Detrás da escarpada parede da frente glacial se entrevêem milhares de cumes de gelo que parecem cúpulas amontoadas de forma caótica, uma detrás da outra. Incontáveis catedrais transparentes parecem sepultadas sob o gelo, vislumbrando-se somente a forma pontuda de suas cúpulas. E também há torres de gelo que ficaram meio tombadas como a Torre de Pisa. Por isso, a frente do glacial é como uma grande muralha com gretas - deixando transluzir entre as “fendas” suas entranhas azuis-- que se regenera a si mesma derrubando-se todo o tempo, mas sem terminar nunca de cair. Aos seus pés flutuam uma infinidade de fragmentos de gelo e grandes blocos, alguns parados na costa como um navio celestial.
O glacial está rodeado de picos e montanhas que medem uma média de 2.000 metros de altura. Contudo, a noção das proporções –totalmente inumanas— perde-se imediatamente na vastidão. A frente do glacial mede 60 metros de altura, mas essa mesma parede de gelo se afunda 120 metros mais por debaixo da água.
Sobre o final da visita, o glacial perfila-se como a trama inabordável de um universo concêntrico de retas transparências que parecem chispar a pleno sol. Seus fulgores ofuscam impedindo ver além de sua irregular superfície, e ao observar seu contorno abruma pensar que detrás dessas torres de cristal possam esconder-se os enigmas da origem do homem, o segredo da beleza perfeita, ou algum dos paraísos perdidos que os aventureiros da Patagônia procuraram. Como na selva - essa outra muralha natural com algo de impenetrável-, este hermético microcosmos gélido permanece quase vedado aos sentidos dos humanos, cujo único consolo é intuí-lo desde a distância (ou caminhar um pouco sobre sua superfície). Ao abandonar o parque - sob um avermelhado entardecer-, já não haverá forma de deixar para trás, a caótica geometria do gelo. Nem tampouco sua imagem fria e abstrata como a dos espelhos vazios, que é ao mesmo tempo um luminoso labirinto de formas mutantes digno de acompanhar-nos até o fim.