
É o berço de grandes figuras do folclore. A menor província da província da Argentina é rica em jazidas arqueológicas indígenas e coloniais, assim como nas festas tradicionais.
A província de Tucumán está no noroeste da Argentina e é a menor do país. Limita ao norte com a de Salta, ao leste e sul com Santiago del Estero e ao oeste e sul com Catamarca. Sua capital é San Miguel de Tucumán, situada a 1.312 quilômetros de Buenos Aires.
Há diversas interpretações sobre a etimologia da palavra "Tucumán", porém a mais aceita é que indica que provém da voz quíchua “yucuman”, que significa "lugar onde nascem os rios”.
Esta província com cerca de 1,5 milhões de habitantes é rica em história, já que tem importantes vestígios da cultura pré-colombina (como os valentes índios Quilmes) e da época da Colônia espanhola. Foi também testemunha da emancipação argentina. Foi em sua capital que se realizou a Declaração da Independência, em 1816.
O clima provincial é subtropical com uma estação seca no inverno e um verão muito quente. A província tem diversos micro-climas e é famosa pela beleza de suas paisagens; daí seu apelido de “O Jardim da República”. A capital tucumana constitui um destacado pólo cultural do norte argentino, por sua universidade, seus museus e a animada vida noturna.
A Universidade Nacional de Tucumán é uma das mais reconhecidas da Argentina, com mais de 60.000 estudantes, muitos deles provenientes das províncias de Salta, Jujuy e Santiago del Estero.
Tucumán possui grande quantidade de áreas naturais protegidas. A natureza, de vegetação frondosa, é ideal para o desfrute ao ar livre e para praticar esportes ou fazer turismo rural.
Há várias zonas ecológicas preservadas, como a Reserva de La Florida, a Reserva de los Sosa, a Reserva Santa Ana e o Parque Serra San Javier.
Tucumán conta com grandes artistas, como o célebre arquiteto César Pelli, a cantora Mercedes Sosa, o instrumentista de folclore Jaime Torres e o escritor Tomás Eloy Martínez.
O turismo em Tucumán gira em torno a paisagens heterogêneas, o patrimônio histórico e arqueológico e o folclore.
Alguns pontos turísticos são San Pedro de Colalao, La Cocha, o Cerro San Javier, as Ruínas de Quilmes, Simoca, as costas do lago Río Hondo, o lago-represa Escaba, Cochuna, El Mollar, o Parque dos Menhires, a Quebrada de los Sosa, Tafí del Valle, El Siambón, Villa Nougues, La Yerbabuena, Concepción, o cerro nevado del Aconquija, Colalao del Valle e Amaicha del Valle.
Economia
A província de Tucumán é a principal produtora de açúcar e limões da Argentina, enquanto é a segunda maior produtora de feijões secos, ervilhas frescas, pimentões e vagem.
A riqueza do solo e o clima propício fizeram com que o cultivo do limão se convertesse, há alguns anos, em uma atividade econômica rentável. A província se transformou na primeira produtora nacional e mundial deste citrus.
O setor experimentou nos últimos 10 anos um crescimento médio anual de cerca de 10%. Conta com umas 25 unidades de embalagem e a maioria de sua produção está destinada para abastecer o mercado internacional. Sucos concentrados, cascas secas, óleos e pectinas são os principais derivados comercializados. Os pomares de limões, em sua maioria estão assentados no pé das serras, em uma região protegida contras as geadas e de boas precipitações.
Porém, a tradicional produção de cana-de-açúcar ainda representa um dos itens de maior importância econômica na província de Tucumán, onde se produz 60% do açúcar nacional, em 15 engenhos localizados na província. Esta atividade toma um novo impulso, a partir do crescente interesse mundial pelos biocombustíveis. A província também cultiva oleaginosas, cereais, tubérculos, verduras e frutas.
Há soja, milho, batata, aveia, sorgo granífero, tabaco, cevada forrageira, girassol, batata-doce, centeio, alho, alcachofra, algodão, aipo, arroz, cerejas, abóbora, melancia, guindas, ameixas, pêssegos, aspargos, morangos, favas, lentilhas, tangerina, maçã, melão, marmelo, laranja, noz, abacate, pimentão seco, tomates e uvas.
Outros setores da economia são a indústria eletrônica, a metalurgia leve, os têxteis, calçados e o transporte pesado. As autopeças para carros foram o segundo tipo de produto mais exportado por Tucumán em 2007.
San Miguel de Tucumán
É uma das cidades mais antigas da Argentina, com uma intensa vida educativa, cultural e de espairecimento como testemunham suas universidades, museus, igrejas, jardins, bares e danceterias.
Arquitetos europeus e argentinos desenharam obras de grande valor. São por exemplo, os edifícios da Casa do Governo, do Jockey Club e da Federação Econômica. Outras obras de grande valor são as Igrejas Catedral, San Francisco e La Merced.
No centro, ao redor da Praça da Independência estão a Casa de Governo, a Catedral, a Casa Nougués (atual sede da Secretaria de Turismo), a Casa Padilla (mostra da arquitetura italiana da segunda metade do século XIX), o Jockey Club, a Federação Econômica e o ex-Plaza Hotel. Perto desta zona, pode ser visitada a Casa Histórica, onde se declarou a Independência das Províncias Unidas do rio da Prata, no dia 9 de Julho de 1816. Entre os museus, destaca-se o Folclórico Provincial, que alberga artesanato popular do norte do país. Outros lugares para conhecer são a Igreja de San Francisco e os arredores da Praça Urquiza, onde estão o Cassino de Tucumán, o Teatro San Martín e a Legislatura.
No Parque 9 de Julho está o Museu da Indústria Açucareira bispo Columbres, que funcionou antigamente como uma vila e depois foi engenho açucareiro. Em suas salas se aprende a evolução da indústria açucareira.
A poucos quilômetros da capital tucumana, a cidade de Yerba Buena, ao pé do cerro San Javier, acolhe uma zona residencial muito agradável.
Circuito das Yungas
É uma zona de paisagens de enorme beleza, vilas de verão com casarões e lugares para praticar o esporte.
Ao chegar na cidade de verão de San Javier desenvolve-se uma zona natural com casas e lombadas onde se realizam esportes como parapente, trekking ou mountain bike.
Outros lugares de recreio são Vila Nougués, Raco e El Siambón, conhecido pelos doces elaborados pelos Monges Beneditinos. O lago El Cadillal é apto para fazer mergulho, navegação, pesca e outros esportes.
Os Vales Calchaquis
Este circuito combina natureza e história, especialmente, a pré-hispânica e a do período colonial espanhol quando os jesuítas habitavam o lugar.
É uma das zonas mais visitadas por turistas argentinos e estrangeiros e o lugar de Tucumán onde ainda se elaboram queijos como os religiosos da Companhia de Jesus no século XVIII faziam.
Alguns lugares turísticos são a cidade de Acheral, San José de Lules, o Monumento do Índio e o Parque dos Menhires, exemplo de uma cultura primitiva. No Dique La Angostura se pesca e praticam esportes náuticos.
As cidades de El Mollar e Tafí del Valle gozam de um agradável microclima e são o principal foco turístico.
A estância Los Cuartos e outros estabelecimentos tambeiros como, La Banda, El Churqui, Las Tacanas e a estância Las Carreras elaboram um delicioso queijo.
Enquanto, em Amaicha del Valle há mostras da história pré-colombina. Este lugar também merece uma visita por seus vinhos caseiros, alfajores, turrons e a tradicional Festa da Pachamama (dedicada à Mãe Terra). A poucos quilômetros estão as Ruínas de Quilmes. São os últimos vestígios dessa valente população indígena. Lugares de descanso em Tafi del Valle são a Hospedaria Castillo de Piedra, a Estância Las Carreras, e a estância Los Cuartos.
Observatório Astronômico Ampimpa
Está a 2.560 metros de altura, na cadeia montanhosa do Aconquija, e a 150 quilômetros de San Miguel de Tucumán. Aqui podem ser realizadas observações astronômicas e receber bate-papos de expertos na matéria.
Folclore e festas tradicionais
Em Tucumán morou em diferentes períodos de sua vida, um dos grandes mestres do folclore argentino, Atahualpa Yupanqui (Héctor Roberto Chavero), cantor, guitarrista e poeta. Atualmente, uma grande artista folclórica é a cantora tucumana Mercedes Sosa. Músicos de grande nível são Lucho Hoyos, Topo Encinar ou o Dúo La Yunta e Los Puesteros. A Zamba e a Chacarera são danças de casal solto que representam a Tucumán.
Feira de Simoca
A tradicional feira da cidade de Simoca, a 50 quilômetros de San Miguel de Tucumán, convoca a cada sábado, pequenos produtores, artesãos e agricultores. Neste mercado se saboreiam os pratos e a gastronomia típica da região do norte, como o locro, pamonhas, empanadas, lingüiças, leitoas assadas e tabletes de mel.
Festa Nacional da Feira
Aos sábados do mês de julho é quando se celebra esta festa da Feira de Simoca, que por sua vez, tem atividade todo o ano. A celebração reúne vendedores de artesanato, animais e comidas tradicionais. Inclui passeios de sulky-carro leve para uma pessoa (carros puxados por cavalos que são usados como meio de transporte) desfile de gaúchos e música folclórica.
Outras festas
Algumas das numerosas feiras e celebrações tucumanas são a Festa Nacional do Queijo, em Tafí del Valle; o Festival da Doma e Folclore, em Graneros; a Festa Nacional da Empanada, em Famaillá; o Festival Nacional do Limão, em Tafí Viejo, e a Festa Nacional da Cana de Açúcar, em Aguilares.
Turismo arqueológico
Ruínas de Quilmes
Estão situadas no Vale Calchaquí, sobre o cerro Alto el Rey, a 20 quilômetros de Amaicha del Valle. Constituem um dos mais importantes lugares arqueológicos do país e o maior assentamento humano pré-hispânico na Argentina. Os quilmes (uma população de 3.000 pessoas) mantiveram sua fortaleza desde o ano 800 até o século XVII. Os visitantes podem observar a forma do desenho arquitetônico das moradias dos indígenas. Há restos de construções destinadas à moenda, canais, trilhos e pátios.
Museu Arqueológico de Quilmes Juan Bautista Ambrosetti
Encontra-se junto às Ruínas de Quilmes, a 5 quilômetros ao oeste da famosa Rota Nacional 40.
Entre as peças exibidas há urnas funerárias, mantas, pontas de flechas, machados de pedra e morteiros das culturas aborígines da zona.
Petróglifos de Ovelhum e Pedra Pintada
Em San Pedro de Colalao, em uma área natural está erigida uma grande rocha conhecida como "A Pedra Pintada". Contém 45 figuras que representam aves e outros animais, que poderiam se relacionar com o culto à fertilidade.
Ruínas de Cóndorhuasi
Pertencem ao assentamento onde se refugiaram os aborígines que provinham da zona de Quilmes, depois da queda destes ante os conquistadores espanhóis em 1667. Este lugar foi ocupado com anterioridade por grupos indígenas, desenvolvendo-se, especialmente, entre os anos 1.000 e 1.500 d.C.
Ruínas de San José de Lules
Compõem-se da antiga capela e do convento fundados pelos jesuítas em 1670. São testemunhos da época da conquista espanhola e do passar da Companhia de Jesus pelo norte da Argentina. Entre os elementos de grande valor histórico está o tabernáculo que contém a imagem de San José. Aqui acamparam os generais argentinos Manuel Belgrano e José de San Martín durante as guerras independentistas.
Conjunto Jesuítico de La Banda
Está na vila turística de Tafi del Valle. A parte mais antiga foi levantada pelos jesuítas na primeira metade do século XVIII.
O museu do interior do complexo possui peças das culturas Tafí e Santa María. Há pinturas da escola cuzqueña e mobiliário do período jesuítico e pós-jesuítico.
Museu do Lugar da Pachamama - Amaicha del Valle
Está situado sobre a rota n° 307, na entrada do centro turístico. Ali se conservam reproduções de diversos elementos que datam de 800 a.C do Vale Calchaqui. Há salas dedicadas à geologia, antropologia, arte têxtil e pintura.
Reserva Arqueológica Los Menhires
Está frente à praça principal de El Mollar e contém 114 menhires, enormes pedras de granito talhadas há mais de 2.000 anos e que estiveram dispersos no vale de Tafí.