
O vinho na Argentina é sinônimo de qualidade, prestígio e bom gosto. Seu sabor, textura e aroma percorrem o mundo. Mas isso não é tudo já que a indústria vitivinícola é também uma das formas que o setor tem de estar presente nos mercados do mundo.
A indústria vitivinícola é também uma das formas que o setor tem de estar presente nos mercados do mundo
Carlos Calise
“Este é um setor gerador de riquezas e de suma importância para a sustentabilidade da sociedade”, afirma o vice-presidente da Corporación Vitivinícola Argentina (Coviar), José Molina. Para confirmar essa declaração, a Coviar apresentou ao Governo um plano estratégico com a finalidade de estabelecer a indústria do vinho argentino entre as principais do mundo.
A oferta exportadora de vinho continua dominada pelo velho mundo, principalmente devido à tradição e atributos muito arraigados como sofisticação e “savoir faire” (a França é responsável por 18% da oferta nesta região). Isto significa 62% das exportações. O novo mundo representa 25% da oferta mundial para exportação. Dentro desta região a Argentina contribui com 2 %.
Neste contexto, a idéia dos vitivinícolas parte da obtenção de créditos e medidas de estímulo para a reconversão de pequenos e médios produtores. Eduardo Sancho, presidente da Coviar, afirma que para 2010 “as exportações chegarão aos 800 milhões de dólares” e dessa maneira dar o passo intermediário para atingir os 2 bilhões que se pretende para 2020. A entidade apresentou este ano uma auditoria de mercado para dar a conhecer realmente a magnitude e potencial dos vinhos nacionais
Entre 2004 e 2006, o vinho Premium (que custa mais de 10 dólares) argentino teve no exterior uma demanda 116% maior do que nos anos anteriores. O mesmo aconteceu com os vinhos de gama média (que custam entre 5 e 10 dólares) que cresceram 56%. “A evolução das exportações argentinas segue a tendência mundial, inclusive com taxas superiores às internacionais no segmento de preços mais altos”, diz José Zuccardi, titular da Wines of Argentina.
Em 2004, o mercado interno, com 100.000 hectares de varietais e 800 adegas distribuídas por todo o país, representava aproximadamente 700 milhões de dólares e 350 mil pessoas viviam da atividade. Durante a última década a indústria vitivinícola recebeu investimentos diretos por mais de 1,5 bilhões de dólares.
“O consumidor vai se tornando cada vez mais exigente e isso nos obriga a estar atentos para diversificar as plantações e orientar a oferta para o que o mercado mais pede”, analisa Andrés Torrens, segundo vice-presidente da Coviar.