
Os trens turísticos da Argentina permitem percorrer lindíssimos lugares naturais e desfrutar de outros de difícil acesso.
Cada um dos trens que realiza passeios turísticos tem sua particularidade que o diferencia dos outros e oferecem o conforto necessário para tornar a viagem ainda mais prazenteira. Alguns deles são réplicas das velhas máquinas a vapor, outros dispõem de tecnologia muito mais moderna e os mais pitorescos atravessam os estepes da Patagônia, selvas subtropicais ou as grandes planícies do pampa. Os mais conhecidos são o Trem Histórico a Vapor de Bariloche, o Trem do Fim do Mundo, a Trochita, o trem de Villa Elisa, o Trem Ecológico, o Trem da Costa, o Trem das Serras e o Trem das Nuvens.
Trem Histórico a vapor de Bariloche
A estrela deste trem turístico é a máquina escocesa a vapor de 1912; arrasta cinco vagões, um deles está destinado ao serviço VIP, com sala de estar, banheira e aquecedor a lenha. Enquanto que a classe turística conserva seus bancos de madeira estofados e as ferragens originais nas janelas.
O trem sai da cidade de San Carlos de Bariloche, na província de Río Negro, e tem como destino final a cidade de Perito Moreno, em pleno coração da meseta de Río Negro. O passeio, que dura cinco horas, inclui várias paradas nas quais os turistas podem admirar a paisagem e tirar fotos.
Depois de sair da estação principal e percorrer a zona próxima ao lago Nahuel Huapi, e após atravessar o rio Ñirihuau, o trem entra no estepe patagônico.
Ao chegar à estação Ñirihuau, os turistas podem descer e admirar a lindíssima paisagem dos cerros Catedral, Tronador e Capilla. No final do percurso, é possível visitar as instalações da estação Perito Moreno (Los Juncos) construída na década de 30.
Trem do Fim do Mundo
Também chamado Ferrocarril Austral Fueguino, começa seu trajeto na periferia de Ushuaia, a cidade mais austral do mundo. O trem penetra no Parque Nacional Tierra del Fuego, único por suas espécies vegetais sub-antárticas e que tem a particularidade de combinar litoral, bosques e montanhas. A Estação do Fim do Mundo é a estação terminal desta ferrovia e está perto do Vale do Rio Pipo.
A história deste trem está unida à própria história de Ushuaia e à da prisão que foi construída nesta cidade no começo do século passado, com a finalidade de manter ali os presos mais perigosos.
Para transportar os materiais utilizados pelos prisioneiros para construir a prisão, foi habilitado um trem que percorria as vias "Decauville", com uma bitola de 60 centímetros.
O trem penetrava na zona de bosques, onde os presos extraíam a madeira necessária para construir a prisão e abastecer de lenha o presídio durante todo o ano.
Durante duas décadas, o trem avançou sobre a parte oriental do Monte Susana e, quando as locomotivas originais já não puderam chegar até as zonas mais elevadas desse setor, o ramal continuou pelo centro do vale do Rio Pipo, penetrando, mais tarde, na área que hoje pertence ao Parque Nacional Tierra del Fuego.
Em 1947 a prisão foi fechada e poucos anos depois o "Trem dos Presos" deixou de circular. Mas em 1994 o velho trem voltou a funcionar.
Depois de sair da Estação do Fim do Mundo, o trem passa pelo Canhadão do Toro, e atravessa o Rio Pipo sobre a Ponte Queimada, onde o turista pode observar as ruínas da velha ponte de madeira. Mais adiante pára na Estação Cascada de la Macarena, onde se pode ver a reconstrução de um assentamento de uma das tribos indígenas que habitavam nesta região: os Yámanas.
Depois o trem entra no bosque sub-antártico, um dos poucos existentes no mundo. Após passar ao lado de uma turfeira (um tipo de solo de Tierra del Fuego sobre o qual se desenvolve o musgo shangum) o trem chega à estação Parque Nacional.
Os vagões deste trem possuem aquecimento e enormes janelas.
São cinco vagões de classe turista de linha nova, dez vagões classe turista de linha tradicional, quatro vagões de primeira classe linha tradicional, e um vagão presidencial.
A Trochita
Também chamado "Velho Expresso Patagônico", é o único no seu tipo de bitola super econômica de 0,75 metros e uma das principais atrações turísticas da Comarca dos Alerces (em Chubut).
Com sua locomotiva a vapor dos anos 20, e seus vagões de madeira com aquecedores a lenha ou “salamandras”, atravessa uma típica paisagem patagônica da província de Chubut onde o trem pára para se abastecer de água. A excursão mais habitual é a que começa na estação da cidade de Esquel e passeia pelos vales e estepes patagônicos até chegar à estação de Nahuel Pan, a uns 20 km de distância.
Ali se encontra uma comunidade indígena do povo mapuche. O trem pára e os passageiros podem descer, visitar as lojas de artesanatos e o Museu de Culturas Originárias onde se pode aprender sobre os povos que habitavam nestas terras.
Outro trajeto, mais longo, já que percorre 165 km, é o que abrange El Maitén-Nahuel Pan e Esquel.
Ovelhas, manadas de guanacos e emas, saem ao encontro da Trochita. Em El Maitén, além de funcionar a oficina onde são realizadas artesanalmente as peças de reposição que já não se fabricam industrialmente, os depósitos foram transformados no Museu Ferroviário, com um bar e área de serviços.