
Esta província é uma delicia para os sentidos: um clima quente e acolhedor, as laranjeiras em seus entardeceres, o aroma a chipá recém-assado e o peixe grelhado, a amistosa melodia do chamamé e águas onipresentes.
Corrientes, situada na região mesopotâmica do país, tem uma superfície de 88.199 km2 e faz divisa ao norte com a República do Paraguai e ao oeste com as províncias do Chaco e Santa Fe; a demarcação em ambos pontos cardinais é marcada pelo rio Paraná. Em direção ao sul, separando-a da província de Entre Ríos, estão os arroios Guayquiraró e Mocoretá; ao leste, depois de atravessar o rio Uruguai estão a República Oriental do Uruguai e a República Federativa do Brasil. Ao nordeste, e separada pelos arroios Itaembé e Chirimía, situa-se a província de Misiones.
Conta com aproximadamente um milhão de habitantes. As cidades mais povoadas são a cidade capital Corrientes, Goya e Paso de los Libres.
Economia e produção
Junto com a pecuária, nas últimas décadas acrescentaram-se atividades não tradicionais como a florestação e a horticultura intensiva ou sob invernadeiro, especialmente nos departamentos de Goya e Lavalle, e focalizados, principalmente, na produção do algodão, tabaco, erva-mate e arroz, estes dois últimos pilares da economia correntina.
No âmbito florestal desenvolveram-se três regiões: em Santo Tomé, Gobernador Virasoro e Colonia Liebig destaca-se a cultura de erva-mate e chá; em Paso de los Libres e Monte Caseros, a produção citrícola e a elaboração do mel; e em Concepción e Santa Rosa, a cultura de flores.
Uma das áreas da economia que mais cresceu é o turismo, especialmente, o focalizado na natureza, aproveitando os recursos oferecidos por seus cursos de água como o rio Paraná, o Uruguai, o Corriente, o Santa Lucía e os esteiros do Iberá. Entre as atividades que podem ser realizadas, está a pesca, caiaque, náutica, avistagem de fauna, aves e senderismo.
Também está a hidrelétrica de Yacyretá, um empreendimento argentino-paraguaio que está situado nos denominados Saltos de Apipe no rio Paraná, na divisa com o país vizinho. Foi escolhido este ponto estratégico para aproveitar os saltos do rio e a fatibilidade de conter as águas através de um represamento situado sobre três grandes ilhas, a paraguaia Yacyretá e as argentinas Talavera e Apipé. A central hidrelétrica gera, aproximadamente, 40% da energia que a Argentina consome.
Cultura
Esta província condensa diferentes tradições indígenas, principalmente, a dos guaranis. Estas influências redundam em seus costumes, gastronomia, música e artesanato.
É por isso que o chipá, pão de queijo feito com farinha de mandioca e oriundo do Paraguai, pode ser degustado, praticamente, em todos seus recantos. E também pode ser escutado o chamamé, um gênero folclórico próprio da Mesopotâmia, caracterizado por suas melodias alegres e o uso predominante da sanfona.
A forte presença fluvial fez com que a pesca seja uma das atividades principais da província: surubi, dourado, boga, pacu, que não somente são celebrados em sua gastronomia, senão em importantes Festas Nacionais, como a do Dourado em agosto em Paso de la Patria, a do Surubi entre abril e maio, e a do Pacu em março.
Religião
As manifestações religiosas são um traço distintivo da população correntina que se revela não somente através de peregrinações, senão também na importante arquitetura eclesiástica presente nas cidades de Corrientes e Goya.
Porém, os dois personagens religiosos de culto por excelência são a Virgem de Itatí, mãe, padroeira e protetora dos correntinos, cuja festa celebra-se a cada 16 de julho, e o Gauchito Gil, um santo pagão que é venerado no dia 8 de janeiro, aniversário de sua morte, quando congrega milhares de fiéis de todo o país. É talvez a figura religiosa de origem popular que mais adeptos na Argentina tem. Sua popularidade é produto de uma lenda que atribui milagres a Antonio Gil Núñez, morto em 1847.