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País, 29 de Abril de 2008

San Juan, terra do sol

Sol, oliveiras e videiras desenham a paisagem da província argentina de San Juan, onde se pode desfrutar o vinho, praticar o turismo de aventura e admirar paisagens lunares com restos fósseis de milhões de anos atrás.


San Juan se situa no centro oeste da Argentina e tem uma superfície de 89.651 quilômetros quadrados.

San Juan se situa no centro oeste da Argentina e tem uma superfície de 89.651 quilômetros quadrados. Divisa ao oeste com o Chile, sendo a Cordilheira dos Andes, a fronteira natural ; ao sul com a província de Mendoza, ao norte e este com a de La Rioja e ao sudeste com San Luis. Está dividida em 19 departamentos e tem 685.000 habitantes. Sua capital é a cidade de San Juan.

Antes da chegada dos conquistadores espanhóis, este território esteve habitado por diversos indígenas: os huarpes (ao sul), os olongastas (ao noroeste) e os capayanes (nos vales de Vinchina, Guandacol e Jáchal).

O clima é continental desértico. Apesar de as temperaturas poderem chegar a ser extremas, tanto no inverno como no verão, alcançando os 5 graus abaixo de zero e os 40 graus, respectivamente, no resto do ano o clima é estável, especialmente no outono e primavera.

Estas condições climáticas e seu tipo de solo conferiram à província um perfil agrícola que o visitante pode conhecer de perto a partir de percurso turístico-gastronômicos como o Caminho do Vinho ou o do Oliveira.

As adegas e os estabelecimentos produtores de azeite abrem suas portas aos curiosos que desejem conhecer os sabores e aromas característicos da região.

A natureza de San Juan registra, por sua vez, a história de milhões de anos. A marca que deixaram nestas terras, animais pré-históricos como os dinossauros, está patente no Parque de Ischigualasto.

Por outro lado, a vista do céu sanjuanino limpo e estrelado é outra opção turística nos observatórios astronômicos da província, que também oferece diferentes possibilidades para praticar atividades esportivas em seus rios, vales e montanhas.

Economia e produção

Vitivinicultura

A economia, tradicionalmente, baseia-se na agricultura, especialmente na cultura da uva. San Juan é a segunda produtora de vinho argentino, destacando a variedade de Syrah.

A videira chegou a San Juan entre os anos 1569 e 1589, pelos conquistadores espanhóis. Graças às ótimas condições climáticas e do solo, a vitivinicultura teve um acelerado desenvolvimento, o que se pode observar pela atual produção das diferentes adegas, que estão muito tecnificadas.

A irrigação artificial é imprescindível para os cultivos. Há muitos anos, na província se constroem canais, diques e acéquias. Atualmente há um sistema de irrigação de 2.000 quilômetros de extensão, considerado um dos mais importantes do mundo.

Olivicultura

O clima seco e um solo propício fundamenta a olivicultura sanjuanina. Com 15.000 hectares em oliveiras, San Juan tem um importante potencial como produtor de azeite e azeitonas em conserva.

Produz, atualmente, 16.000 toneladas de azeitonas, das quais 4.500 toneladas se destinam para conserva e o resto se industrializa como azeite.

Os azeites sanjuaninos se caracterizam por seus sabores frutados.

Destacam o azeite de oliveira virgem e o de oliveira orgânico. Deste produto orgânico, as maiores vendas se realizam aos Estados Unidos e Japão.

Horticultura

Em San Juan se implantam cerca de 3.400 hectares de cebola. A maior parte da produção se destina ao mercado interno. Também se realizam exportações ao Brasil, Paraguai e Uruguai.

Quanto à produção de alho, destina-se integramente à exportação, sobretudo, a Europa e ao Brasil. Esta atividade ocupa o segundo lugar, depois da uva em fresco, na lista da receita por venda de produtos hortifrutícolas de San Juan.

Fruta

Além das ameixas que são vendidas, sobretudo na Europa, Uruguai, Brasil e Hong Kong, San Juan produz com bastante sucesso pêssego em fresco.

Com respeito ao damasco, os principais destinos são: o Canadá, seguido do Brasil, França e Itália. A qualidade do produto, tanto na sanidade como em qualidades organolépticas, confere-lhe muitas possibilidades nos mercados internacionais. Em relação à uva em fresco, se presta para o mercado de exportação.

San Juan é também o primeiro produtor de uva passas na Argentina e vende ao exterior geralmente, quase a totalidade da produção.

Minérios

O setor de minérios contribui ao crescimento socioeconômico de San Juan. Esta meta pretende ser alcançada mediante o equilíbrio entre as explorações mineiras e o ecossistema.

A atividade mineira provincial está conformada por grandes companhias internacionais dedicadas à exploração e futura exploração de minérios metalíferos e as Pymes (pequenas e médias empresas) minérios de capital, mormente nacional, a cargo da extração e processamento de minerais industriais.

Há mais de meio século, San Juan tem conseguido um importante desenvolvimento da produção de minerais industriais, em bruto e elaborados, tais como calizas, dolomitas, bentonitas, quartzo, mármore lajes, áridos, calcitas e feldspatos, originando uma importante indústria com base produtora em cais cimento, silício, ferro silício, carburo de cálcio, carbonato de cálcio precipitado e cerâmica.

Neste setor há grandes possibilidades de investimento pela excelente qualidade dos minerais como: calizas, bentonitas e diversas rochas de aplicação.

Há diferentes projetos em exploração com diferentes estados de avanço e um importante investimento. Vários deles são Lama, Pachón, Casposo Gualcamayo, Taguas, Hualilán e Vicuña.

Por outro lado, de cara ao futuro, a província de San Juan pode se converter em uma potência mineira ao nível mundial pela qualidade de suas jazidas de metais preciosos.

A mina de ouro de Veladero e o projeto Pascua-Lama, consistente em desenvolver uma mina de ouro e prata, situada sobre os 4.000 metros sobre o nível do mar na fronteira do Chile com a Argentina, terão um grande impacto econômico.

Turismo

Turismo arqueológico

O Parque de Ischigualasto

Situado no Departamento Valle Fértil, a 330 quilômetros da cidade de San Juan, esta reserva paleontológica tem um incalculável valor científico já que contém a mais completa seqüência do Período Triásico da Era Mesozóica.

É um dos principais destinos turísticos do noroeste da Argentina e foi declarado pela UNESCO Patrimônio da Humanidade. O grande atrativo turístico e científico deste parque conhecido também como Vale da Lua se fundamenta na existência de fósseis de répteis e dinossauros que se extinguiram há 70 milhões de anos.

Os arqueólogos acharam aqui os fósseis dos dinossauros mais antigos conhecidos até hoje, como o Herrerasaurus e o Eoraptor Lunensis. Também além dos fósseis, a paisagem atrai pelo seu aspecto nu de vegetação, com alucinantes imagens talhadas na rocha.

O ar e a água que, antigamente, transcorria por esta zona, definiram a paisagem atual dando origem a estranhas formas no terreno.

Tal é o caso de O Submarino - uma das esculturas mais conhecidas-, O Fungo ou A Esfinge. Também se destaca A Quadra de Bochas, que foi criada porque a erosão dos agentes climáticos modelou esferas de diferentes tamanhos sobre uma superfície plana.

Turismo científico

Complexo Astronômico El Leoncito

O Complexo Astronômico El Leoncito (CASLEO) foi criado em 1983 como um Centro Nacional de Serviços para a Comunidade Astronômica e, atualmente, é também um destino turístico que permite se adentrar no conhecimento do cosmos ou desfrutar a beleza do céu sanjuanino.
El Leoncito está situado no departamento de Calingasta, a 40 quilômetros da cidade de Barreal e frente a uma estrutura geológica denominada Barreal Blanco. O telescópio deste complexo está situado a 2.552 metros sobre o nível do mar.
A paragem El Leoncito se caracteriza pela grande escuridão de seu céu noturno. A maioria das noites do ano está despejada de nuvens e o vento é inexistente ou de baixa velocidade, enquanto a atmosfera é, em geral, diáfana e isenta de contaminação.
Os turnos de visita se fixam com antecipação e podem ser durante o dia ou pela noite. Essa noite o visitante tem acesso ao telescópio Meade e às explicações de um técnico.
O CASLEO proporciona apartamento, um petisco durante a noite de observação, o café da manhã e o almoço do dia seguinte.
Para se inscrever neste programa tem de se dirigir à Secretaria Técnica do Complexo Astronômico El Leoncito, no telefone 0264-4213653 ou enviar um e-mail a: nocturna@casleo.gov.ar.

Centro de Visitantes Hugo Mira da Estação Astronômica Dr. Carlos U. Cesco.

É o único observatório astronômico da Argentina dedicado à Astronomia de Posição. Está a 2.330 metros sobre o nível do mar, no Departamento Calingasta, ao sudoeste da província de San Juan.

Os visitantes podem conhecer a cúpula que alberga o telescópio Astrográfico Duplo, único instrumento no seu tipo no hemisfério sul.  

Turismo de aventura

Trekking, cavalgatas, escalamento, safáris fotográficos, pesca de cordilheira, rafting ou windsurfe são algumas das atividades que San Juan oferece para os turistas com sede de aventura ou esporte.

Nos departamentos cordilheiranos de Calingasta e Igreja, as excursões se realizam de carros com dupla tração, ou a cavalo, conforme a acessibilidade das áreas e a duração dos traslados, que varia entre os dois e dez dias.

As zonas que se destacam por sua beleza natural são o Vale de Calingasta, a Cordilheira da Ramada, o Cerro Mercedario ou a Reserva da Biosfera de San Guillermo.

Calingasta atrai com sua natureza crua e imponente. Barreal, o povoado mais conhecido desse distrito, assoma ao pé dos Andes como um lugar de sonho. Há nessa zona, muitas propostas: rafting nos rios cordilheiranos, cavalgadas ou subida aos picos montanhosos.

A vista de animais (surus, condores, vicunhas, guanacos) se realiza em toda a zona da cordilheira. Outro programa consiste em transitar a trilha utilizada pelo Exército dos Andes no comando do Libertador General José de San Martín e as áreas arqueológicas da alta cordilheira.

Em direção ao leste da província, no Departamento de Vale Fértil, se organizam saídas às Serras de Vale Fértil e La Huerta, no lombo de mula em passeios de 2 ou 3 dias de duração. O atrativo desta atividade é a convivência que se estabelece com os pequenos povoados dedicados à criação de caprinos e a confecção de artesanato.

Por outro lado, em fevereiro, durante a temporada de verão, a realização do Safári detrás das Serras atrai grande quantidade de público.

Turismo gastronômico

Rota do vinho

O desenvolvimento tecnológico e o empenho de superação fizeram com que esta província  árida desse origem a férteis montanhas onde se cultivam variedades vinícolas que receberam prêmios internacionais e que podem ser degustadas pelos turistas, na chamada Rota ou Caminho do Vinho.

As adegas de San Juan se modernizaram ao ritmo do crescente interesse pelo vinho argentino em outros países.

No departamento de Sarmiento se delineia o vale de El Pedernal, ao pé da Cordilheira de Los Andes, onde se obtiveram variedades de alta qualidade enológica. 

Este vale, situado a 1.340 metros de altura, apresenta amplitudes térmicas entre 18 e 20º C que permitem a obtenção de vinhos com boa estrutura.

As cepas implantadas são: Chardonnay, Sauvignon, Semillon, Pinot noir, Cabernet Sauvignon, Malbec, Merlot e Syrah.

Graffigna é a adega mais antiga de San Juan. Há outras importantes, como Viñas de Segisa, Fabril Alto Verde, Las Marianas, San Juan de Cuyo e La Guarda, que integram o Caminho do Vinho no noroeste argentino.

Os estabelecimentos incluídos neste circuito oferecem propostas muito diferentes. A partir dos vinhos orgânicos que Fabril Alto Verde produz até o champanhe elaborado no mesmo coração da montanha, nas covas onde está instalada a adega Cavas de Zonda (somente há três de seu tipo em todo o mundo).

Também, as adegas artesanais começaram a abrir suas portas aos visitantes e constituem outra boa opção para conhecer a elaboração não industrializada do vinho.

Rota da Oliveira

Degustar o azeite proveniente das azeitonas sanjuaninas e conhecer de perto esta produção milenar é possível na Rota da Oliveira, que, como a do Vinho, convida a realizar um turismo gastronômico diferente.

Este “caminho de degustação” está integrado por 14 estabelecimentos próximos da capital sanjuanina: ao sul, pela rota nacional N° 40; ao oeste, pela rota provincial N° 12; e ao sudoeste, pelas rotas 20 e 278.

Atravessa 14.600 hectares de cultivos, onde o turista pode conhecer as plantações, os viveiros e os estabelecimentos de produção de azeites e outros derivados das azeitonas.

Os estabelecimentos são: Campo de Olivos, Tupelí, Sol Frut, Mercantil Agropecuaria, San Juan de Ullum, Ciasa, Olimat, Gabriel Mesquida, Baldini, La Constancia, Olivsan, CIF S.A. Olivos San Juan e El Cerrillo.

5 Comentário
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12 de Setembro de 2010 10:53:00

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