
O desenvolvimento dos biocombustíveis já é uma realidade no mundo, e a Argentina está no caminho de incorporar-se como um agente importante.
Pela primeira vez no mundo, um avião da Força Aérea Argentina voou com biojet, um combustível à base de soja. Jorge Kaloustian, presidente da Oil Fox, é um dos pioneiros no desenvolvimento do biodiesel na Argentina, uma realidade crescente e um elemento estratégico no abastecimento de energia. Aqui ele explica que possibilidades o nosso país tem no que se refere à produção do combustível do futuro.
Devido ao alto preço do barril de petróleo no mundo, numerosos países tentam encontrar alternativas mais econômicas e menos poluentes para substitui-lo. A primeira grande exportação de biodiesel foi feita de San Lorenzo, na província de Santa Fe; o país destinatário foi a Alemanha e o valor da operação atingiu 1.750.000 dólares.
Também, já se pode contar a experiência do avião lA-58 Pucará da Força Aérea Argentina que voou com biojet, um biocombustível gerado na Dirección General de Investigación y Desarrollo dessa instituição com o apoio da Secretaria de Ciencia, Tecnología e Innovación Productiva.
Desse maneira, a Argentina entra no mercado como pioneira da América latina com vários projetos que hoje são uma realidade crescente. Não só por sua contribuição ao meio ambiente mas também pela possibilidade de posicionar nosso país no negócio dos combustíveis bio-renováveis.
Não há nada revolucionário no biodiesel. Seu inventor, Rudolph Diesel, quando criou o motor que levaria seu nome, utilizou óleo de amendoim misturado com um catalizador como combustível para fazê-lo funcionar. Mas nesse momento o petróleo ganhou a batalha. Atualmente, o panorama mudou e os protagonistas começam a ser outros. Estes combustíveis não só contaminam menos, senão que também são um recurso quase inesgotável e não é preciso fazer nenhuma adaptação nos motores que utilizamos hoje em dia.
O processo é simples. Para o biodiesel utiliza-se um elemento renovável, que pode ser qualquer triglicéride: Óleo refinado de soja, de girassol, de gordura de frango ou o óleo usado na cozinha. Mistura-se com álcool metílico (metanol) e hidróxido de sódio (soda cáustica), é batido por aproximadamente duas horas e o resultado são glicerinas de usos múltiplos, como a pasta de dentes ou o sabão, e o biodiesel, que sem necessidade de nenhum outro tratamento, pode ser utilizado em carros de qualquer modelo.
Existem três maneiras de produzi-lo: a mais comum é obter bioetanol a partir de óleos de cereais ou produzir biodiesel a partir da soja. A segunda ainda está sendo desenvolvida e o combustível seria obtido através do processamento de certas enzimas vegetais não comestíveis. Mas tecnologicamente é um processo muito complicado que ainda está tratando de ser resolvido nos países mais desenvolvidos, como os Estados Unidos. E a terceira via é através da utilização de microalgas previamente processadas.
"Há três meses assinamos um contrato para produzir óleo na base de algas marinhas. O surpreendente é que com uma hectare de soja podem ser obtidos entre 400 e 600 litros de óleo, e com as algas seriam obtidos 100 mil litros", explica Jorge Kaloustian (49), Licenciado em Sistemas, que faz dez anos decidiu criar a Oil Fox, uma empresa de capital argentino dedicada à exploração de combustíveis bio-renováveis que em dezembro terminará de construir suas instalações.
Em sua planta, localizada em San Nicolás, na província de Buenos Aires, serão produzidas 240 toneladas de biodiesel por ano. E com alguns ajustes nos processos, o número poderia chegar a ser duplicado, transformando-se assim na maior do mundo.
Na província de Chubut, a empresa Biocombustibles Chubut S.A., que recentemente assinou uma carta de intenção junto à Oil Fox com o governo da província para promover e difundir a produção de biodiesel a partir do óleo de algas, produz 10 toneladas de biodiesel por dia, tornando-se um dos empreendimentos de maior sucesso do país.
Na Argentina os exemplos de empresas dedicadas ao biocombustível começam a aparecer de norte a sul, estabelecendo relações comerciais que vão além das nossas fronteiras em busca de novos horizontes. "se plantamos tartago no norte, que é uma oleaginosa silvestre, colza na Patagônia, soja em La Pampa e algas no litoral marítimo, a Argentina pode fornecer biodiesel para o mundo inteiro", declarou Kaloustian.