
O projeto Identidade Argentina, um desenvolvimento de designers locais sobre os ícones mais representativos do país foi exibido em Nova York, na AIGA, a associação de designers mais importante do mundo.
O projeto Identidade Argentina (idArg), criado pelos designers argentinos Hernán Berdichevsky e Gustavo Stecher, nasceu com o objetivo de repensar e mostrar a identidade Argentina desde um lugar diferente, através de uma análise exaustiva de seus principais ícones, esses que sintetizam e comunicam a idiossincrasia do ser nacional. Pela primeira vez na história do design argentino, idArg foi objeto de uma mostra em Nova York, na associação de designers mais importante do mundo, a American Institut of Graphics Arts – AIGA (Instituto Americano de Artes Gráficas), de 12 de junho a 15 de agosto.
Este não é, porém, o único reconhecimento recebido. Em 2007, foi selecionado pela prestigiosa editoraTaschen para seu livro Logo Desing como caso de estudo entre os melhores projetos de branding do mundo. E foi declarado de interesse cultural pela Secretaria de Cultura da Nação. Tanto os ícones, como alguns produtos inspirados neles, foram exibidos em diferentes países. Em 2007, levaram o mate ícone – objeto inspirado na peça gráfica que forma parte do projeto – à mostra de design “Fim do mundo”, no Japão. E também estiveram no Chile e Grã-Bretanha.
Além de uma atrativa publicação que condensa os 75 ícones, indiscutivelmente argentinos, idArg converteu esta iconografia e reflexão crítica sobre a argentinidade em uma linha inovadora de produtos e objetos industriais que colocam no primeiro plano o design argentino através da marca Nobrand.
Gênese de uma identidade
Em plena crise econômica argentina de 2001, Hernán Berdichevsky e Gustavo Stecher encontraram, paradoxalmente, um ambiente estimulante e propício para a criação. Com a intenção de publicar um livro de ícones, lançaram-se ao temerário projeto de repensar e redefinir a identidade argentina. Mas não em qualquer aspecto, senão seus símbolos gráficos mais representativos, esses que de um olhar permitam identificar “o argentino”.
Tamanha empresa não ia ser fácil. As identidades nacionais são conceitos culturais complexos, em constante evolução, em cujo interior convergem significados e sentidos contraditórios que respondem às linhas históricas, culturais e políticas. Porém, e com nenhum condicionante mais que a discussão acabada com uma identidade que estava atravessando um profundo momento de mudança, Berdichevsky, Stechen e sua equipe foram elaborando um dogma estético-cultural a partir do qual poder contar uma nova Argentina através da gráfica. Assim, Os Pampas, o campo, o gaúcho, o mate, a vaca, o bife, o obelisco, o futebol, o tango e também personagens como Maradona, Gardel, o Che Guevara e Evita, por citar apenas alguns, foram reconvertidos ícones em símbolos argentinos.
Contudo, o objetivo não era só “lavar” a imagem destes referentes, senão, pelo contrário, representá-los através de uma síntese gráfica e uma ancoragem verbal que permitisse refletir, desde a autocrítica e o humor, sobre o ser argentino. Assim, a combinação entre uma gráfica sintética, desprovida de elementos recarregados, junto a relatos verbais autocríticos e em um tom humorístico, deu como resultado uma redefinição da identidade argentina a partir de um olhar contemporâneo, fresco e renovador.
O caminho para a publicação do livro, talvez o único objetivo explícito de idArg, viu-se enriquecido e modificado por acontecimentos fortuitos: a convocatória da editora Taschen a participar de sua publicação Logo Design, a comercialização de produtos (indumentária, acessórios, objetos e publicações) com os ícones, a convocatória para expor em Nova York e a condensação, quase sem procurá-la, de um inventário cultural gráfico do ser argentino. Um êxito considerável, ainda para quem não o almejava.
