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Cultura

Cultura, 26 de Maio de 2008

O tango: espelho de argentinidade

O filósofo e músico Gustavo Varela explica o porquê de o tango não ser apenas um gênero musical que tem cultores distinguidos, senão também um modelo de identidade para os argentinos e para como o país é visto no exterior.


Gustavo Varela é o coordenador acadêmico do Curso de Pós-graduação “Tango: genealogia política e história” da Faculdade Latino-americana de Ciências Sociais (FLACSO). É professor de filosofia e músico. Ministra aulas na Universidade de Buenos Aires e na Universidade do Cinema. É autor do livro Mal de tango (Paidós, 2005).

O tango não é só um gênero musical que soube e sabe ter cultores distinguidos, representa também um modelo de identidade para os argentinos e um dos tópicos centrais de como o país é visto no exterior.

O tango não é só um gênero musical que soube e sabe ter cultores  distinguidos, representa também um modelo de identidade para os argentinos e um dos tópicos centrais de como o país é visto no exterior. O filósofo e músico Gustavo Varela, coordenador acadêmico do Curso de Pós-graduação, “Tango: genealogia política e história” da Faculdade Latino-americana de Ciências Sociais (FLACSO), explica por que é necessária uma perspectiva que una o prazer estético que o tango oferece com uma leitura de sua história vinculada ao devenir político e econômico da Argentina.

Por que o tango se apresenta como um “modelo de identidade” para os argentinos?
A história do tango acompanha desde seus inícios em 1880, o nascimento e desenvolvimento da Nação Argentina moderna. É uma testemunha sonora e poética dos diferentes processos que nosso país viveu ao longo de todo o século XX e em suas letras, em suas transformações, é possível contar o modo de construir uma identidade nacional. A  enorme imigração que chega entre 1870 e 1930 modifica a fisionomia do país e faz com que seja necessário construir um novo vínculo social. Isto significa definir valores, modos de relação, vínculos afetivos.

Como opera o tango sobre essa necessidade?
Suas letras, ao contrário têm diferente de outras músicas populares, têm um forte componente moral: o bairro, a mãe, os amigos não são apenas assuntos poéticos, senão formas de definir o que está bem e o que está mal. Era uma necessidade política e social dos setores populares, fundamentalmente imigrantes. Por isso, as raízes do tango estão nos portos: Rosario e Buenos Aires, aonde chegaram os barcos.

Como e quando se consolidou o “tango” como um dos principais eixos constitutivos da identidade argentina no exterior?
O tango viaja quase em seus inícios à Europa. Em 1907 chegam a Paris, Ángel Villoldo (autor de “El choclo”), o pianista Alfredo Gobbi e sua esposa, que era cantora. Em 1913, o tango é bailado nos salões parisienses e é uma verdadeira febre. Porém, talvez seja a imagem de Rodolfo Valentino bailando um tango no filme Quatro cavaleiros do Apocalipse, a que permite uma maior identificação do tango com o argentino. Depois virão os filmes de Carlos Gardel para os estúdios Paramount, somado à presença de músicos e autores de tango na Europa. Nas décadas de 1920 e 1930, o tango se consolida nos Estados Unidos e na Europa, principalmente através do cinema, como um sinal de argentinidade. Alguns anos depois, Piazzolla faria o mesmo, mas desta vez com sua música.   

Por que Gardel –e não outro/a- se converteu em uma figura icônica?
Gardel marca para sempre, com sua voz, o jeito de dizer o tango. Goyeneche dizia: “Para que vamos cantar se já o fez Gardel?”. No entanto, somente com a voz não alcança para ser um ícone. Em sua figura se reúne aquilo que é o tango: arrabalde e smoking, um sorriso amplo e uma voz que enuncia tristezas, o moço marginal que triunfa, um ideal de mãe, turfe, amizade e beleza. Sua morte prematura e trágica terminou de dar-lhe o brilho exato para ser eterno na memória popular. Suas cinzas são o húmus com o qual se abona o solo argentino, para que o tango viva sua época de ouro, nos anos 40 e 50.

Quais são as contribuições da vanguarda Piazzolliana nesse “modelo de identidade” que o tango constitui?
Astor Piazzolla é uma força motriz fundamental na história do tango. Sua música é uma partitura aberta que reúne a tradição das grandes orquestras do tango e elementos da música contemporânea, de Bela Bartok a Miles Davis. Sua música permite ampliar ainda mais a perspectiva do tango anterior. Através de Piazzolla muitos descobrem a Julio de Caro, a Cobián, a Arolas. É também, mediante ele que os intelectuais se aproximam do tango sem preconceitos. De fato, Jorge Luis Borges, tão crítico do tango em alguns de seus escritos, escreve mais de uma poesia para que Piazzolla as transforme em tango.

4 Comentário
cecilia disse:
20 de Setembro de 2009 19:07:00

no mamen si van a poner algo porngalo vien por fas pendejos
GASTON disse:
21 de Agosto de 2009 03:33:00

GRANDE EL TANGO ARGENTINO...MI BUENOS AIRES QUERIDO...
santiago disse:
21 de Agosto de 2009 03:27:00

ESTA ES UNA EXPLICACION PARA LOS URUGUAYOS QUE DICEN QUE EL TANGO NACIO EN MONTEVIDEO.. EL TANGO SE ORIGINO Y NACIO EN BUENOS AIRES. se encuentra el primer tango registrado como tal, La canguela, de 1889,En el Museo de la Partitura Histórica (de Rosario, provincia de Santa Fe).El primer tango con autor conocido es El entrerriano, de Rosendo Mendizábal, publicado en 1898. Rosendo Mendizábal naci
Foopriehomype disse:
20 de Agosto de 2009 03:48:00

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