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Cultura, 24 de Abril de 2008

Cultura argentina, riqueza e diversidade

Em 2010, a Argentina chegará ao seu Bicentenário com uma produção cultural de enorme riqueza e diversidade.


Em 2010, a Argentina chegará ao seu Bicentenário com uma produção cultural de enorme riqueza e diversidade. 

As cifras são eloqüentes: 8.745 editoras de livros, jornais e revistas, 160 selos musicais, 500 cinemas, 3.800 casas de música, 3.200 livrarias e mais de 740 museus. Conforme estimativas oficiais, estas indústrias culturais contribuem quase com 6% do PIB e operam como instrumentos de inclusão social e como espaços onde seus habitantes refletem sobre a identidade, o presente e o futuro do país.

Literatura

O protagonista estelar da literatura argentina é Jorge Luis Borges. Sua obra foi tributária e de ruptura com a tradição nacional. Com Fervor de Buenos Aires, em 1923, inscreveu-se, transitoriamente, na linha crioulista. Don Segundo Sombra (1926), de Ricardo Güiraldes, foi o mais alto desta narrativa que retratou a figura do gaúcho, criador de gado e errante no seu cavalo, pela imensidão dos pampas. Juan Moreira (1879), de Eduardo Gutiérrez, e o Martín Fierro (1872), de José Hernández, “poema nacional dos argentinos”, imortalizaram o gaúcho e se converteram em obras de culto popular.

Em meados de 1930, quando aparecia a expressão “indústria cultural”, a maioria dos grandes escritores e poetas trabalhavam como jornalistas. Borges publicou os relatos que depois integrariam sua História universal da infâmia no jornal Crítica, um dos de maior impressão de exemplares. Esta obra prefigura outras como, Ficções (1944) e O Aleph (1949), que o consagrariam como um mestre do conto fantástico. Ao mesmo tempo, Borges participava da revista Sul, onde se reuniam outros escritores reconhecidos: Adolfo Bioy Casares, Silvina Ocampo, Manuel Mujica Láinez, Silvina Bullrich. Cosmopolitismo e liberalismo são os selos deste grupo. Porém, quem refletiu como ninguém, o clima da época chamada de “década infame” foi Roberto Arlt, quem com um estilo  “desleixado” para os cânones do momento conseguiu expressar o imaginário dos argentinos modernos. El juguete rabioso e Os sete loucos são suas novelas mais famosas.

Com o peronismo, em 1945, agudizou-se a tensão entre o culto e o popular. Os intelectuais da elite conservadora foram antiperonistas e os da esquerda também. Arturo Jauretche e Leopoldo Marechal, autor de Adán Buenosayres (1948), uma das máximas novelas argentinas, aderiram aos postulados de Perón e foram precursores da corrente que, nos anos 50, deu origem à carreira de Sociologia. Haviam se nutrido e polemizado com o livro de Ezequiel Martínez Estrada Radiografia da pampa (1933), que junto com Facundo de Domingo Faustino Sarmiento, são dois dos ensaios mais lúcidos da literatura latino-americana.

Nos anos 60 proliferaram novas editoriais e revistas culturais e políticas. O escritor mais representativo foi Ernesto Sábato, que em 1959 publicou Sobre heróis e túmulos. Julio Cortázar teria seu primeiro êxito em 1960 com sua novela Os prêmios, que consolidar-se-ia com Rayuela em 1963. Apareceram autores que renovaram a narrativa, como Manuel Puig, Juan José Saer e Haroldo Conti, e outros que fizeram o próprio com a poesia, como Juan Gelman, Olga Orozco e Alejandra Pizarnik. Também houve uma importante produção de historinhas que deu numerosos artistas de projeção internacional, como Héctor Germán Oesterheld (O eternauta) e Quino (Mafalda).

Muitos escritores foram exilados nos anos 70, como Osvaldo Soriano, Osvaldo Lamborghini, Néstor Perlongher, Daniel Moyano, Osvaldo Bayer e Antonio Di Benedetto. Outros desapareceram, como Haroldo Conti, Germán Oesterheld e Rodolfo Walsh. Este último havia publicado, em 1957 Operação Massacre, depois considerado um dos clássicos do gênero de non fiction, que se adiantou ao novo jornalismo americano.

Na pós-ditadura se afiançaram novas vozes –Fogwill, César Aira, Ricardo Piglia, Andrés Rivera, Angélica Gorodischer–, e dos 90 até hoje, uma geração de autores jovens vêm abrindo passo com diferentes gêneros: Sergio Bizzio, Daniel Guebel, Washington Cucurto, Juan Terranova, Fabián Casas, Oliverio Coelho, Mariana Enríquez.

A produção de livros, em 2006, alcançou 85 milhões de exemplares, com 18.523 novos títulos. Todos, autores e editores, aproveitam o crescente interesse pela leitura que há entre os argentinos, que se pode comprovar a cada ano na Feira Internacional do Livro de Buenos Aires,  que em sua última edição foi visitada por 1.212.000 pessoas.

Artes plásticas

A Bienal Internacional de Veneza 2007 demonstrou a vitalidade das artes plásticas argentinas. Considerado como um dos cinco artistas vivos mais importantes do mundo  por The New York Times, León Ferrari foi reconhecido como o Leão de Ouro, pelo seu compromisso ético, político e pela vigência estética de sua obra, que compreende seis décadas. Ferrari participou com colagens de sua série de L´Osservatore Romano (2001) e a escultura “A civilização ocidental e cristã” (1965), com um Cristo crucificado contra um bombardeiro americano. O diretor da Bienal, Robert Storr, também convidou a Guillermo Kuitca para integrar a mostra central, com obras de sua produção recente, que aludem a outros artistas nacionais, como Alfredo Hlito e Lucio Fontana.

O ano de 2007 foi o de maior volume e quantidade de vendas de arte argentina da história. Cerca de 4.000 obras foram vendidas por um total de 16 milhões de dólares. Alguns dos artistas melhor cotizados, além de Ferrari e Kuitca, continuam sendo: Antonio Berni, Emilio Pettoruti, Benito Quinquela Martín, Raúl Soldi, Fernando Fader, Florencio Molina Campos, Prilidiano Pueyrredón, Xul Solar, Jorge de la Vega, Rómulo Macció, Carlos Alonso, Marta Minujín e Guillermo Roux.

Todos os dias há cerca de 200 exposições para desfrutar na Argentina. Durante 2006 assistiram aos museus da  cidade de Buenos Aires, mais de 1.200.000 de pessoas. O Museu Nacional das Belas Artes, a casa oficial mais importante, anunciou há pouco tempo que duplicará sua superfície atual.

Música

A música argentina é reconhecida em todo o mundo pelo tango. Conforme uma pesquisa oficial, é o principal produto portenho vendido pelos operadores turísticos do exterior. O gênero produz um movimento de 3 bilhões de dólares por ano, no mercado internacional, através da venda de discos, concertos, espetáculos de dança, aulas de baile, sapatos, suvenires e revistas especializadas, entre outras atividades.

Surgido no final do século XIX, popularizou-se em todo o mundo através da figura e a voz de Carlos Gardel. Grandes músicos como Aníbal Troilo, Osvaldo Pugliese, Enrique Cadícamo, Tita Merello, Enrique Santos Discépolo, Horacio Salgán e Homero Manzi, converteram os anos 30 e 40, na idade dourada do tango. A partir dos anos 50, Ástor Piazzolla, considerado um dos compositores mais importantes do século passado, expandiu as fronteiras do tango através da fusão com a música clássica e o jazz.

Outra grande corrente da música popular é o folclore, que tem em Atahualpa Yupanqui como seu máximo referente. Com músicas e letras que surgem da mistura entre gêneros trazidos pelos imigrantes europeus e o mundo camponês e indígena, o folclore transcendeu no plano internacional com figuras como Mercedes Sosa, Teresa Parodi, Horacio Guarany, Los Chalchaleros, Los Fronterizos ou Los Huanca Huá.

O rock nacional foi pioneiro na América Latina com grupos como; Los Gatos, Sandro e los de Fuego e Almendra. Depois chegaram bandas como Vox Dei, Sui Generis e Serú Girán; estas duas últimas marcadas pelo talento de Charly García. Nos anos 80 deu-se o desembarque das grandes bandas argentinas no mundo hispanoparlante, através de Soda Stereo, Fito Páez, León Gieco, Los Fabulosos Cadillacs, Andrés Calamaro, entre outros.

Gustavo Santaolalla consolidou-se como um dos produtores mais importantes do rock latino e foi reconhecido pela composição de bandas sonoras de filmes como O Segredo de Brokeback Mountain e Babel, com as quais obteve senhos prêmios Oscar, seguindo o caminho aberto por Luis Bacalov com a música de O carteiro em 1995 e as seis nominações obtidas por Lalo Schiffrin.
Martha Argerich, Daniel Barenboim, Horacio Lavandera, Gerardo Gandini, a Camerata Bariloche e a Orquestra Sinfônica Nacional mostram o desenvolvimento atual da música clássica, que tem expoentes como: Alberto Ginastera, Carlos Guastavino e Waldo de los Ríos. Com uma tradição cimentada por figuras como Oscar Alemán, Gato Barbieri e Mono Villegas, o jazz exibe, atualmente, a presença de novos talentos como Ernesto Jodos, Adrián Iaies e Mariano Otero.

O mercado musical mostra um presente em crescimento. Durante 2007 foram vendidos mais de 18 milhões de unidades, 5% mais que em 2006; e as descargas através da Internet como de telefonia móvel cresceram 294%.

Danças

O tango também é a dança argentina por excelência. Sua origem data de 1870 e tem como protagonistas o negro, o imigrante e o gaúcho que chega aos subúrbios de Buenos Aires e se converte em compadrito. Estes homens se reuniam no prostíbulo, onde se dançavam os ritmos de moda. Os negros dançavam em seus lugares, que se chamavam de tambos ou tangos. Este é um dos antecedentes da palavra “tango”. E o baile dos negros caracterizava-se pela plenitude de movimentos, contorções, cortes e quebradas. Os compadritos que os viam bailar, imitavam-nos para se divertirem, e repetiam esses bailes nos prostíbulos.
Dos melhores dançarinos, entre os mais antigos, cabe mencionar a Benito Bianquet, Casimiro Ain e Tito Lusiardo; e dos contemporâneos a Virulazo, Juan Carlos Copes, María Nieves e Miguel Angel Zotto e Mora Godoy. Todos eles integraram o elenco de Tango Argentino, que foi um grande êxito em Broadway. Em Buenos Aires se realizam os eventos mais importantes do gênero: o Festival Buenos Aires Tango e o Campeonato Mundial de Baile de Tango, que em suas últimas edições reuniram 170.500 e 50.000 pessoas respectivamente. Em 2007, foi realizado o 1° Festival Internacional de Tango Queer, como uma celebração da diversidade sexual no tango.

Porém, não tudo é tango na Argentina. Danças folclóricas como chacarera, gato, zamba, cueca, chamamé e malambo se bailam em todo o território. E por outro lado, com base no Teatro Colón, foi desenvolvida uma sólida escola de dança clássica, da qual saíram intérpretes como Jorge Donn, Maximiliano Guerra, Paloma Herrera, Marianela Núñez e Julio Bocca; quem em 2007 se retirou dos cenários com um espetáculo ao ar livre que reuniu cerca de 500.000 pessoas. Atualmente é diretor do Balé Argentino.

Teatro

A Argentina possui uma atividade teatral comparável a poucos países do mundo. Em 2007 assistiram ao teatro, mais de  2.000.000 de pessoas, onde em qualquer sábado são exibidas mais de 200 obras. Isto é, dez funções por hora. 

O Teatro General San Martín e o Cervantes são as principais salas da cena oficial e na mítica avenida Corrientes estão as grandes salas do circuito comercial. Para muitos, o off é o mais rico em termos criativos, e sem dúvida, e sem dúvida também é em termos quantitativos. Depois da crise de 2001 produziu-se uma verdadeira explosão do teatro alternativo. Por essa época, atores, diretores e dramaturgos começaram a abrir seus próprios espaços, menores que os tradicionais, em geral, com uma capacidade de 50 a 100 espectadores. A implementação nos últimos anos de subsídios estatais (outorgados pelo Instituto Nacional do Teatro e Proteatro) fez crescer a já importante atividade teatral. As obras do off pertencem na sua maioria a autores nacionais, em um programa que inclui clássicos, textos da geração de 60 e as novas figuras.

Precisamente nos anos 60, em meio a uma renovação de formas e o conteúdo da cultura, proliferaram os teatros independentes. O realismo de Roberto Cossa ou Germán Rozenmacher –que tematizavam a perplexidade da classe média ante o peronismo– concorria pelo favor do público com o teatro do absurdo do Instituto Di Tella. Em 1966 apareceu em Buenos Aires o café concerto, uma peculiar maneira de fazer teatro que consiste em um espetáculo que reúne o humor e a paródia, de forma de sketchs,  aos quais soma-se a música, o canto e os jogos de luzes. María Elena Walsh e o grupo Les Luthiers foram alguns dos artistas que cultivaram, com enorme êxito, este novo gênero.

O teatro argentino teve sua época de ouro entre 1910 e 1930. O sainete, espécie de farsa com personagens caricaturescos, funcionou como crítica à antiga oligarquia. Por outro lado, o teatro do grotesco foi criação de um dos escritores mais importantes da época, Armando Discépolo.

Em 1981, sobre o final da última ditadura, surgiu Teatro Aberto, um movimento que voltou a lotar as salas e pôs no cenário, questões que tinham a ver com a história da comunidade, que desde 1976 havia padecido a repressão cultural exercida pelo regime  militar. Vinte anos depois, os teatristas poriam em marcha o Teatro pela Identidade, neste caso, para colaborar na luta das Avós da Praça de Maio.

Atualmente, com o impulso que o Festival Internacional de Teatro de Buenos Aires, que em sua última edição atraiu quase 25.000 espectadores, a cena nacional está mais consolidada do que nunca. Com a revalorização de dramaturgos como Copi, acrescenta-se a vigência de outros como: Alejandro Urdapilleta, Daniel Veronese, Rafael Spregelburd, Ricardo Bartís, Javier Daulte e Mauricio Kartún. E autores jovens como Romina Paula (Algo de ruído faz) e Matías Feldman (Breve relato dominical) garantem um bom futuro ao teatro argentino.

Cinema

A filmografia nacional foi revitalizada na última década com o surgimento de jovens diretores que integram o denominado “novo cinema argentino”. O ano de 2007 representou um recorde histórico para o país, com a estréia de 92 filmes nacionais.

Caracterizada pela independência de suas produções, o realismo e a utilização de atores amadores, esta camada de novos realizadores significou uma virada radical e despertou elogios no mundo inteiro. Iniciada por diretores como Raúl Perrone, Martín Rejtman e Esteban Sapir, a corrente consolidou-se com Pizza, birra, faso, de Bruno Stagnaro e Adrián Caetano, no Festival de Mar del Plata de 1997. Pouco tempo depois, seguiram outras óperas primas como Mundo Grúa (1999), de Pablo Trapero, e A ciénaga (2000), de Lucrecia Martel. O Urso de Prata no Festival de Berlim de 2004 para O abraço partido, de Daniel Burman, marcou a maturidade deste movimento. O Festival de Cinema Independente de Buenos Aires, que em sua última edição reuniu mais de 200.000 espectadores, constitui uma vitrine insuperável para estes novos realizadores.

A partir dos anos 30, a cinematografia argentina é uma das mais destacadas de toda América Latina, junto a México e Brasil. A idade de ouro chegou com o nascimento de produtoras como, Argentina Sono Film e Lumilton. Manuel Romero, Mario Soffici, Leopoldo Torres Ríos, Carlos Hugo Christensen, Hugo del Carril e Lucas Demare são alguns dos grandes diretores desses anos, em que surgiram estrelas destacadas no mundo hispanoparlante como, Carlos Gardel, Niní Marshall, Libertad Lamarque, Luis Sandrini e Tita Merello. No final dos anos 50 apareceram realizadores de prestígio como Leopoldo Torre Nilsson, Hugo Santiago, David José Kohon, José Martínez Suárez e Manuel Antín. Duas figuras cobraram reconhecimento nos anos 60: Leonardo Favio e Pino Solanas (Urso de Ouro em Berlim 2004 pela sua carreira cinematográfica), responsável pela emblemática A hora dos fornos, que narrou as incipientes lutas de resistência popular na América Latina.

Com o retorno da democracia em 1983, o mundo voltou, novamente, a estar atento à realidade argentina, e se afiançaram autores como Adolfo Aristarain, María Luisa Bemberg, Eliseo Subiela, Miguel Pereira e Luis Puenzo, quem em 1986 obteve o Oscar de melhor filme estrangeiro com A história oficial.

5 Comentário
Carlos disse:
21 de Novembro de 2011 15:31:00

donde (****) esta la info que busco ptos?
Don Diego Román Del Castro Perez Valdéz Piracón Junior disse:
14 de Setembro de 2011 21:44:00

la argentina es uno pais mucho bueno para se vivir porém es un pais mucho gusto del se argentino
Ana disse:
04 de Outubro de 2010 10:50:00

para que América Latina progrese debemos tener una clara conciencia de hermandad entre los pueblos. Lo pensaron Bolívar, San Martín,Guevara... y todavía no podemos enterderlo!!!!
RÕMULO MENDES MAR disse:
27 de Setembro de 2010 09:42:00

Sou, Brasileiro e amo a Argentina meu proximo intercambio sera nesse País maravilhoso de pessoas inteligentes, e um povo que luta, pela igualdade de todos. se nos Brasileiros,tivessemos a dedicaçâo que eles tem seriamos concerteza uma nação de primeiro primeiro mundo.
niikol disse:
08 de Setembro de 2010 19:17:00

argentina es un pias muy chevere pero no es lo q nesecito para mi tarea nesecito es la riqueza de argentin y un mapa con los recursos naturales me pueden ayudar
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