
Quatro décadas depois de sua estréia, após ter percorrido a Europa, Estados Unidos e Canadá, retorna esta obra com música do genial Ástor Piazzolla e letras do poeta Horacio Ferrer, que inaugurou o gênero ópera-tango.
Com o próprio Ferrer, encarregado de recitar —como na versão original—, a estréia será na quinta-feira 17 de abril, no Teatro Nacional Cervantes de Buenos Aires, e contará com as atuações dos cantores Julia Zenko e Guillermo Fernández, e a presença no cenário da orquestra do reconhecido bandoneonista Néstor Marconi, quem será o diretor musical desta reposição.
Trata-se de uma ópera em duas partes que, com marca surrealista, narra a vida e a morte de uma moça dos subúrbios portenhos que se traslada ao centro da cidade, conhece o tango e se transforma em prostituta. Este ofício leva a lidar com ladrões e “madames”, que a levam a uma escura morte. Sua sombra é condenada a deambular pela avenida Corrientes, epicentro dos cinemas e teatros da cidade de Buenos Aires.
Apresentou-se pela primeira vez, no dia 8 de maio de 1968 na Sala Planeta de Buenos Aires, com Amelita Baltar e Héctor de Rosas nos papéis protagônicos. Depois foi interpretada nos cenários da Europa, Estados Unidos e Canadá. A obra significou o começo das colaborações entre Piazzolla e Ferrer, das quais também surgiram “Balada para um louco”, “Chiquilín de Bachín” ou “Juanito Laguna ajuda a sua mãe”, que teve a obra do pintor argentino Antonio Berni como fonte de inspiração.
Maria de Buenos Aires forma parte de um dos períodos mais frutíferos da carreira de Piazzolla. Após morar em Nova York entre 1958 e 1960, onde compôs “Adiós nonino” —uma de suas peças mais recordadas— o bandoneonista retornou a Buenos Aires em 1960 e pôs em marcha, a agrupação Quinteto Tango Nuevo, que consolidou seu estilo musical único e lhe permitiu dar a conhecer muitas de suas grandes obras.
Ástor Piazzolla
Considerado em todo o mundo como um dos compositores fundamentais no século XX, depois de trabalhar em sua juventude junto à orquestra típica de Aníbal Troilo, converteu-se a partir dos anos 50 no grande renovador do tango, através da mistura com a música clássica e o jazz. “Decarísimo” “As Estações (portenhas)”, as séries do Anjo e do Diabo e “Michelangelo ´70”, figuram entre suas obras mais reconhecidas. Morreu em 1992 aos 71 anos.
Horacio Ferrer
Nasceu em Montevidéu (Uruguai) em 1933; trata-se de um dos maiores poetas do tango. Seu “Livro do Tango. Arte Popular de Buenos Aires”, escrito em 1970, é um dos estudos mais minuciosos sobre o gênero. Além de suas colaborações com Piazzolla, também trabalhou junto a outros grandes músicos, como Troilo, Julio De Caro, Pedro Laurenz e Osvaldo Pugliese.
Fragmento
Yo soy María
de Buenos Aires
de Buenos Aires María, yo soy mi ciudad!
María Tango, María del arrabal,
María noche, María pasión fatal,
María del amor de
Buenos Aires soy yo!
