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Cultura, 12 de Fevereiro de 2008

Cortázar, o perseguidor do fantástico

Há 25 anos, em 12 de fevereiro de 1984, morria em Paris Julio Cortázar. Genial contista quem maravilhou o mundo com a introdução do fantástico na realidade cotidiana e revolucionou a literatura latino-americana com sua novela "Rayuela".

Julio Cortázar
Genial escritor

Revolucionou a literatura latino-americana com sua novela "Rayuela".


Nascido na embaixada argentina na Bélgica, no dia 26 de agosto de 1914, Julio Cortázar passou sua infância na Suíça e Espanha. Terminada a Primeira Guerra Mundial se instalou com sua família na cidade bonaerense de Banfield.

Sentiu-se atraído pelas letras desde criança. A partir dos 9 anos, lia e escrevia compulsivamente. "Tinham que me pegar do pescoço e me deixar no sol, porque lia e escrevia demais", ele mesmo explicava.

Quando entrava na adolescência descobriu que sua noção do fantástico era diferente do restante das pessoas. "Passei minha infância em uma bruma de duendes, de elfos, com um sentido do espaço e do tempo, diferente dos outros. Minha realidade é uma realidade onde o fantástico e o real se entrecruzam cotidianamente", assinalava, e essa certeza marcaria sua forma de fazer literatura.

Em 1949 publica "Os Reis", poema dramático mitológico e em 1951 "Bestiário", o livro de contos onde começa a aparecer seu singular estilo e os elementos centrais de sua obra: o fantástico, o absurdo e o humor. Mais tarde chegariam,  "Final do jogo", "As armas secretas", "Os prêmios", "Histórias de cronópios e de famas".

Foi com o conto "O perseguidor" (homenagem ao saxofonista de jazz Charlie Parker), incluí no "Final do jogo", que antecipou sua obra-mestra, a novela "Rayuela". Publicada em 1963, valeu-lhe o aplauso da crítica mundial como parte do boom latino-americano.

Essa busca do sentido da vida dentro da metáfora do jogo infantil se converteu rapidamente em um clássico da novela contemporânea, não como best seller ocasional, senão pelo seu caráter revolucionário, que desafiava o leitor convencional.

O mesmo Cortázar aceitou a etiqueta de "contranovela" e o explicava assim: "Rayuela é uma tentativa de ver, de outra maneira o contato entre uma novela e seu leitor. Para que a atitude do leitor que lê novelas se modifique. Ocorreu-me tentar escrever um livro onde o leitor tivesse diferentes opções, o qual o situava em pé de igualdade com o autor. Possibilidade de escolhas, de deixar uma parte ou lê-la em outra ordem e criar-se um mundo no qual ele desempenhava um papel ativo e não passivo".

Desde “Bestiário”, já se aprecia vividamente seu particular estilo de escritura caracterizado pela harmonia na ilação das palavras. Um ritmo, uma cadência musical em suas frases, que Cortázar comparava com o "swing" do jazz.

Com o sucesso mundial chegaram "Todos os fogos o fogo", "A volta ao dia em oitenta mundos", "62/modelo para armar", "Livro de Manuel" e "Octaedro", entre outros.

Cortázar faleceu de leucemia no dia 12 de fevereiro de 1984, em Paris, a pouco mais de um ano da morte de sua segunda esposa, Carol Dunlop. Foi enterrado junto a ela no cemitério de Montparnasse.


Cortázar aos olhos do mundo
No cinema
Em 1966, o célebre diretor de cinema italiano Michelangelo Antonioni adapta seu conto "As babas do diabo" no filme "Blow up", ganhador da Palma de Ouro no Festival de Cannes
Tradução
A Universidade de Porto Rico lhe encarrega a tradução da obra completa, em prosa, de Edgar Allan Poe. "Uma das coisas que realizei com mais gosto nesta vida", considerou Cortázar. Seu notável trabalho é destacado como a melhor tradução da obra do grande escritor inglês
Na cidade
Em 2007, Bertrand Delanoë, prefeito socialista de Paris, dá o nome de "Julio Cortázar" à pracinha localizada no extremo ocidental da ilha Île Saint-Louis. Ali transcorre o relato do conto "As Babas do Diabo"
Bomm latino-americano
A novela "Rayuela" o coloca dentro do chamado "boom latino-americano", período entre os anos 60 e 70, onde publicações como "Pedro Páramo" de Juan Rulfo, "Cem anos de solidão" de Gabriel García Márquez, e "A cidade e os cachorros" de Mario Vargas Llosa, circulam pela Europa e todo o mundo apresentando suas técnicas vanguardistas de narração

Papéis inesperados
No final de 2006, Aurora Bernárdez encontrou em uma cômoda familiar material inédito do escritor argentino. Agora, ao cumprir-se 25 anos de sua morte, estes textos chegam finalmente às livrarias sob o título Papéis inesperados.

 

1 Comentário
Ezequiel disse:
19 de Maio de 2010 12:47:00

La patria Julio Cortazar Esta tierra sobre los ojos, este paño pegajoso negro de estrellas impasibles, esta noche continua, esta distancia. Te quiero, país tirado más abajo del mar, pez panza arriba, pobre sombra de país, lleno de vientos, de monumentos y espamentos, de orgullo sin objeto, sujeto para asaltos, escupido curdela. inofensivo puteando y sacudiendo
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