
Poderíamos dizer que Buenos Aires é uma enorme galeria de arte. Suas ruas e seus bairros dão aos seus turistas e moradores a possibilidade de desfrutar todos os dias da arte na rua. Marino Santa María é um dos responsáveis por esta Intervenção Urbana.
O filósofo americano Elbert Hubbard dizia que “a arte não é uma coisa, mas sim um caminho”. Talvez Buenos Aires levou ao pé da letra a afirmação do filósofo e suas ruas, ou “caminhos”, retratam arte em muitos de seus quarteirões. O histórico Caminito no bairro de La Boca e a rua Lanín, em Barracas, são claros exemplos de arte na rua.
Marino Santa María é artista plástico e um dos responsáveis pela Intervenção Urbana em várias ruas da cidade. “A arte pública - afirma Santa María - não tem que ter funcionalidade, é simplesmente para que esteja ao alcance das pessoas”. A idéia é aproximar todos os habitantes e turistas a uma amostra da arte argentina e assim colorir as ruas da metrópole.
Assim, como em outras cidades do mundo, a arte é exibida ao ar livre para ser observada pelos espectadores que chegam de todas as partes do mundo, nas mesmas ruas onde se vive o dia-a-dia. A arte em Buenos Aires, diante dos olhos de todos.
Como você definiria o que é a Intervenção Urbana?
A intervenção urbana é modificar uma arquitetura preexistente tomando o espaço público.
Um mural?
Não, um quarteirão inteiro, não apenas uma fachada.
E qual é a diferença com o mural?
O mural é um quadro grande, aqui não existe a possibilidade de quadro. São fragmentos com um espaço de cor. A idéia é usar um quarteirão inteiro ou vários. Eu não sou um muralista, faço todo um quarteirão ou nada (sorri).
Como nasce esta idéia de intervenção urbana?
A pintura de cavalete me parece pequena e isolada. Talvez, por algum desejo guardado de ser urbanista ou arquiteto. Poderia dizer que de ser um músico passei a ser diretor de orquestra.
Por que a rua Lanín?
Eu nasci ali. Sempre digo que pintei a área de jogos da minha casa.
E o que os vizinhos acharam da idéia?
Cada casa incluída no projeto foi por pedido do próprio morador e eles são os encarregados de fazer a manutenção e em geral não só teve muito boa aceitação senão que além disso ninguém decidiu abandonar o projeto nem se arrepende.
O pioneiro na Argentina é Benito Quinquela Martín…
Ele é o pioneiro no mundo inteiro e o único que tinha feito intervenções urbanas. Os cortiços de Caminito já estavam ali, o que ele fez foi dar mais colorido e com isso criar a magia e identidade do bairro.
Qual é o papel que cumprem as pessoas neste tipo de arte?
No bairro Abasto e na passagem Enrique Santos Discépolo, além das cerâmicas e do mosaico veneziano, incluí partituras. Aí as pessoas fazem parte da obra mais do que em nenhum outro lugar porque a maioria começa a cantar ou cantarolar as músicas.
