
A pesquisadora Ana Belén Elgoyhen recebeu o Prêmio L´Óreal-Unesco for Women in Science, por suas contribuições ao entendimento da genética da audição.
Desde 1998, a empresa de cosméticos L’Óreal e a UNESCO decidiram promover a ciência feita por mulheres através do programa “For Women in Science” (“Para as mulheres da ciência”). Além de outorgar bolsas de estudo de aperfeiçoamento para pesquisadoras de todo o mundo, a cada ano, um júri internacional formado por 18 prestigiosos cientistas elege uma pesquisadora por continente em duas categorias e que são premiadas alternadamente: Ciências Materiais e Ciências da Vida. Os dez anos de vida deste prêmio o converteram no prêmio máximo ao qual uma mulher dedicada à ciência pode aspirar.
Em sua última edição de 2008, a cientista argentina Ana Belén Elgoyhen foi distinguida como representante da América Latina, na categoria Ciências da Vida pela sua pesquisa sobre a genética da audição. Em 2003 Mariana Weissman havia sido reconhecida em Ciências Materiais devido aos seus trabalhos em torno da física e matemática.
Ana Belén Elgoyhen reconheceu, em uma entrevista com Argentina.ar, que “é o prêmio mais importante que me foi entregue” em toda a sua carreira. Junto com a distinção, todas as ganhadoras recebem US$ 100.000.
Há mais de 10 anos, Elgoyhen trabalha no Instituto de Pesquisa em Engenharia Genética e Biologia Molecular (INGEBI), que depende do Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Tecnológicas (Conicet). Entre 1991 e 1994 esteve pesquisando no Instituto Salk em La Jolla, Califórnia, onde ganhou uma bolsa de estudo de pós-graduação. Porém, voltou ao seu país: “voltei porque queria morar na Argentina. Foi uma decisão pessoal de vida, não queria morar nos E.U.A., queria morar no meu país e ter uma família aqui”.
Formou-se como Bacharel no Colégio Santa Catalina de Belgrano, na Cidade de Buenos Aires, depois optou pela carreira de Bioquímica na Universidade de Buenos Aires e cursou um doutorado em farmacologia no Conicet. Com respeito à sua trajetória educativa no país, assegura que “teve uma excelente formação aqui, tanto no colégio primário, secundário, como universitário e de pós-graduação, o doutorado que fiz na Argentina. Quando fui aos Estados Unidos nunca me senti em desvantagem com nenhum europeu ou americano. Temos um plus de formação, temos os reflexos muitos mais marcados”.
-Você poderia nos explicar qual foi sua contribuição à ciência, devido à qual recebeu o prêmio?
O prêmio na verdade é um prêmio à trajetória e nós trabalhamos há 4 anos em fisiologia auditiva, tratando de entender qual é o papel que exerce3m certos genes que dão informação para a síntese de moléculas que estão dentro das células sensoriais do ouvido. E estudamos, especificamente, um sistema pelo qual o sistema nervoso central envia informação em direção ao ouvido e modula como essas células funcionam. Portanto, modula a faixa dinâmica da audição, como escutamos. É importante porque é o único sistema sensorial, se comprado com a visão, o paladar e o tato, o qual recebe informação do sistema nervoso central, que modula a forma com que este sistema funciona.
-Qual é sua aplicabilidade ao nível do uso social?
Nós fazemos ciência básica. Contudo, este sistema que explico tem duas funções principais no ouvido. Uma é a de aumentar a detecção de sons em um ambiente ruidoso. Um pode filtrar sons que não lhe interessam, por exemplo o ar-condicionado que está ligado, e concentrar toda a sua atenção em um som principal. A outra é a de proteger o ouvido do trauma acústico, que é um dano irreversível que é produzido nas células sensoriais do ouvido, em presença de ruídos muito intensos. Uma vez que são prejudicadas, estas células morrem e não se recuperam e isto produz duas coisas: uma é a hipoacusia, isto é, surdez, e a outra é a aparição de acúfenos ou tinnitus, que é a percepção constante de um zumbido, som ou ruído dentro da cabeça, em ausência de uma fonte sonora externa e isto é muito enfraquecedor para o paciente que o padece. Essas seriam as duas aplicações práticas.
Apesar de Ana Belén Elgoyhen ter reconhecido que pesquisar na Argentina não é tarefa fácil, também afirma que a criação do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação Produtiva “é algo muito positivo para a ciência. É a primeira vez que temos um ministério. E além disso, é um cientista [Lino Barañao], e não um político, acho que é uma grande mudança, uma amostra de interesse muito importante por parte do governo. Espero que isto venha acompanhado de outras medidas e que este governo se apóie no tempo passado”.
No Ingebi, Elgoyhen coordena uma equipe de 10 pessoas, entre pesquisadores, estagiários e pós-doutorados. E esclarece que, conta com colaboradores externos para seu projeto em Harvard, UCLA e John Hopkins, já que “atualmente, os trabalhos requerem tanta tecnologia diversa que nenhum laboratório a possui totalmente. Ou seja, que se você vê os trabalhos, são trabalhos de vários laboratórios que estão colaborando”.
Ana Belén Elgoyhen reconheceu que “é o prêmio mais importante que me foi entregue” em toda a sua carreira. Junto com a distinção, todas as ganhadoras recebem US$ 100.000.
