
O Instituto Balseiro, o Centro Atômico Bariloche e o INVAP formam, na nossa Patagônia, um trio de prestígio científico e tecnológico de nível internacional, e um ímã que atrai pesquisadores.
Bariloche tem uma transcendência que vai além de suas lindíssimas paisagens: seus centros de pesquisa científica também ocupam um lugar no mundo. O Centro Atômico Bariloche, o Instituto Balseiro e a empresa de Investigaciones Aplicadas (INVAP) são mundialmente reconhecidos. A origem deste prestígio está no Instituto Balseiro, onde se formam os científicos. E quando se pergunta por algum exemplo de pesquisador, todos os caminhos e elogios de seus colegas indicam Tomás Buch, símbolo da firma INVAP, um dos três "tecnólogos" mais importantes da América do Sul e integrante do primeiro corpo docente do Instituto Balseiro.
Como fizeram para reter profissionais e cientistas num país que tradicionalmente os expulsava?
Hoje eles recebem salários atrativos e além disso existe interesse em participar de projetos importantes.O INVAP é uma empresa ágil. Nos últimos anos conseguimos confiabilidade e perfeição tecnológica. Existe uma certa mística e além disso, Bariloche é um lugar atrativo para qualquer profissional do mundo.
O que significa o reconhecimento que a empresa tem hoje a nível internacional?
Vou responder como diríamos na língua do futebol: jogamos na Primeira, e isso é um orgulho.
Como se faz para ''jogar na Primeira" desde aqui?
Acho que a Argentina sempre teve um bom nível em termos de ciência e, em alguns momentos, muito bom. O Balseiro surgiu a partir de uma idéia concreta, que era conseguir a excelência na física, e isso foi conseguido. Porém, não havia nada de tecnologia. Esse foi o desafio e nesse aspecto, entre outros, quero destacar a visão que teve Conrado Varotto, que impulsionou este projeto.
O INVAP -cujas instalações estão situadas dentro do Parque Nacional Nahuel Huapi- é uma reserva de cérebros que sobreviveu a todas as dificuldades que vivemos na história recente. Desenvolveu reatores de pesquisa e produção de radioisótopos, satélites para observação terrestre, plantas industriais, sistemas de radar e centros de terapia radiante, entre outras coisas. Fatura entre 36 e 70 milhões de dólares anuais e tem em andamento uma série de projetos de altíssima tecnologia. Por exemplo, desenvolve uma planta de radioisótopos para o Egito e 18 centros de radioterapia para a Venezuela.
Em abril, na Austrália, os profissionais do INVAP colocaram em marcha o reator de pesquisa OPAL (Open Pool Australian Light Water), utilizado para o fornecimento de radiofármacos de alta qualidade para a medicina nuclear e a produção de radioisótopos de uso industrial e feixes de nêutrons para pesquisas científicas e militares, especialmente análise de materiais. O custo fixo foi de 200 milhões de dólares. E representou para a Argentina a maior exportação deste tipo de tecnologia “chave na mão” na história, e concluiu um processo iniciado em 1998. Toda a engenharia do projeto foi desenvolvida na província de Río Negro e significou para o país um posicionamento internacional.
Agora existe um novo desafio: trabalhamos na construção do satélite de pesquisa SAC-D, que nasceu de um contrato entre a NASA estadunidense e a CONAE argentina. Representará um investimento de mais de 230 milhões de dólares, dos quais os Estados Unidos financiará 180 milhões e o resto ficará por conta da Argentina. É um satélite com um radiômetro, que permitirá medir a radiação superficial dos oceanos, além de sua temperatura e grau de salinidade. Este equipamento pode penetrar aproximadamente um metro na crosta terrestre, o que fornecerá valiosa informação sobre os solos. Pesará ao redor de mil quilos, terá uns quatro metros de altura e será lançado desde a base de Vandenberg, na Califórnia, com o foguete Delta II.
