
A empresa Bio Sidus conseguiu produzir um hormônio de crescimento bovino a partir de terneiras clonadas e transgênicas, que aumentará em 20% a produção de leite vacum. O país será, desta maneira, produtor e exportador mundial deste produto.
Bio Sidus, a empresa de biotecnologia mais importante da América Latina anunciou um novo avanço que revolucionará, fundamentalmente, o âmbito agrícola e a pecuária. Em seu Tambo Farmacêutico - laboratório de Bio Sidus dedicado à genética de animais - criou-se uma nova “dinastia” ou “raça” bovina, a Portenha, composta por terneiras clonadas especialmente para a obtenção do hormônio de crescimento bovino (bGH) ou conforme seu nome científico, Somatotropina Bovina.
As dinastias anteriores geradas por Bio Sidus –Pampa e Patagônica- estavam focalizadas na produção de hormônios de crescimento e de insulina para humanos. A dinastia Portenha, pelo contrário, não aponta ao mercado farmacêutico, senão ao âmbito rural, onde o hormônio de crescimento bovino é utilizado para incrementar a produção de leite. Assim, esta novidade é um produto de neto perfil exportador, já que é utilizado principalmente nos Estados Unidos, México e Brasil, entre outros.
A quantidade de leite que pode dar um animal de tambo é variável conforme a raça e qualidade e está em torno dos 25 litros diários. A utilização de bGH pode aumentar a produção de leite em 20%.
O uso de bGH é bastante freqüente, já que implica em um melhoramento dos níveis produtivos para o tambeiro com os benefícios derivados do mesmo. Porém, o sistema de produção do hormônio necessita ser muito eficiente por gerar anualmente quantidades muito altas de produto (na ordem das toneladas). Portanto, a produção é muito cara. A obtenção desta proteína em vacas transgênicas, a partir da descoberta de Bio Sidus, pode chegar a diminuir, sensivelmente, os custos de produção. Esta proteína é um produto de importância no mercado pecuário, especificamente o leiteiro.
A dinastia Portenha demandou um investimento de mais de um milhão de dólares e constitui um novo passo na frente no desenvolvimento desta metodologia produtiva e um afiançamento de seu uso.
Apesar da metodologia para gerar animais transgênicos ter sido já desenvolvida em muitos países do primeiro mundo, Bio Sidus está entre as quatro empresas no mundo que estão realizando a produção de proteínas recombinantes em animais transgênicos para sua utilização com fins comerciais e é a primeira em fazê-lo para bGH.
Este processo envolve passos de alta complexidade bioquímica, tais como engenharia genética, biologia celular, embriologia e técnicas avançadas em fecundação, utilizadas na criação de gado. As pessoas envolvidas diretamente no projeto são aproximadamente 30.
Dinastia Portenha: um novo êxito científico-tecnológico argentino
As terneiras transgênicas Portenha se caracterizam por serem portadoras de uma construção genética codificante para o hormônio de crescimento bovino. Essa construção genética permite que este hormônio se expresse na glândula mamária das vacas, onde naturalmente não se expressa, e assim, obtém-se leite com o hormônio em questão, em grandes quantidades.
Para este projeto acrescentoram-se as células bovinas, o gene do hormônio de crescimento bovino para que esta seja produzida pela glândula mamária e secretada no leite destes animais.
Aos poucos dias do nascimento de Portenha, pôde-se comprovar que suas células são portadoras do gene inserido. Sua seqüência é correta e além disso, o gene está situado adequadamente em seu novo entorno celular. Com a comprovação da produção em leite do hormônio de crescimento bovino, fecha-se o ciclo científico que permitiu a utilização de bovinos como método de produção desta proteína. Continua agora a etapa de desenvolvimento produtivo até a obtenção do produto veterinário comercializável.
O bGH se purifica a partir do leite, de maneira que fique com um grau de pureza compatível com um produto injetável de uso veterinário.
